O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que seria o líder legítimo do Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pela agência Reuters, com base em relatos de uma autoridade norte-americana e de outra pessoa familiarizada com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.
Segundo as fontes, Trump não tem planos atuais de respaldar as ambições políticas do senador, apesar de o governo norte-americano ter autorizado sua entrada nos Estados Unidos após sua saída do Brasil. A posição, no entanto, pode mudar.
Trump questionou a condução da eleição brasileira, afirmando que a votação parecia “manipulada”, mas declarou que não apoiou nenhum dos candidatos. O presidente norte-americano também afirmou manter uma boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva.
Flávio deixou o Brasil após a eleição
Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas depois de perder a disputa presidencial. A viagem ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seu passaporte a pedido da Polícia Federal. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com a Reuters, a família passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami. Durante o trajeto, Flávio teria mantido contato com autoridades norte-americanas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recomendou que a entrada do senador e de seus familiares fosse autorizada.
As autoridades americanas concederam à família uma autorização temporária de entrada conhecida como parole humanitária.
Declaração sobre liderança gerou repercussão
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta aberta nas redes sociais na qual inicialmente se declarou “presidente eleito”. Posteriormente, retirou essa expressão e divulgou uma nova versão do texto, na qual passou a se apresentar como o “líder” legítimo do Brasil.
A declaração provocou reações entre integrantes do campo conservador brasileiro. Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, a saída do senador do país pode ter reduzido sua influência política, especialmente entre aqueles que esperavam que ele conduzisse a oposição nos próximos anos.
A posição do governo Trump indica cautela diante da possibilidade de um novo desgaste diplomático com o Brasil. Apesar das críticas à eleição, o presidente norte-americano não anunciou apoio à reivindicação de Flávio Bolsonaro.
