Em setembro de 2025, o governo do Nepal, liderado por Khadga Prasad Sharma Oli, implementou novas regras para as redes sociais no país. Quatro dias depois, bloqueou 26 plataformas, incluindo Facebook, Instagram, YouTube, WhatsApp e X. Essa ação provocou uma reação violenta da juventude local, resultando na renúncia de Oli e na invasão do Parlamento, da Suprema Corte, de sedes de partidos e de residências de políticos. A repressão foi forte, e pelo menos 19 pessoas morreram durante os confrontos.
Thigu Soares, chefe da empresa de tecnologia Ipnet, afirmou que os acontecimentos no Nepal refletem a relação profunda da Geração Z com as redes sociais. Para essa geração, as redes sociais são uma ferramenta vital para comunicação e mobilização, não apenas uma forma de entretenimento. O bloqueio foi percebido como um ataque direto à liberdade de expressão e à capacidade de se conectar com os outros, considerado um direito fundamental.
Soares destaca que as redes sociais atualmente não separam mais o Oriente do Ocidente em termos de hábitos, conexões e ferramentas de comunicação. Um adolescente no Nepal e um em Nova York podem se comunicar mutuamente o dia inteiro, independentemente da distância ou da cultura. Ao bloquear o acesso, o governo nepali silenciou a voz da juventude, o que gerou uma reação extrema.
Esse caso ilustra o poder das redes sociais como ferramentas de mobilização social. A Geração Z utiliza as plataformas para organizar protestos, compartilhar informações em tempo real e formar movimentos. O bloqueio foi uma tentativa de impedir essa organização e controlar a narrativa, uma tática que as gerações anteriores não enfrentaram da mesma forma, pois dependiam de mídias tradicionais como jornais e televisão.
O caso do Nepal pode ser visto como um reflexo de como a tecnologia está moldando o comportamento humano, criando uma dependência que, quando confrontada, pode levar a reações extremas. As redes sociais se tornaram uma extensão da identidade e da voz da Geração Z, e qualquer tentativa de silenciá-las é percebida como uma ameaça direta à sua liberdade e autonomia.
