O plantio da soja no Tocantins segue avançando, mas a irregularidade das chuvas e o atraso no início do período chuvoso mantêm os produtores em alerta para a safra 2026/2027. As precipitações registradas em outubro permitiram acelerar os trabalhos em diversas regiões, embora ainda existam preocupações com possíveis períodos prolongados de estiagem.
De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em outubro, o Tocantins poderá produzir 10,03 milhões de toneladas de grãos nesta safra, um crescimento de 2,9% em relação ao ciclo anterior. Caso a projeção se confirme, será a primeira vez que o estado ultrapassará a marca de 10 milhões de toneladas.
Segundo o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja TO), Thiago Facco, o ritmo do plantio está acima da média observada nos últimos cinco anos. Ele afirmou que as chuvas registradas nos dias 24 e 25 de outubro favoreceram o avanço das atividades no campo, com produtores de algumas regiões já próximos de concluir a semeadura.
Apesar da evolução, a distribuição das precipitações ainda preocupa. A produtora rural e presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região, Simone da Silva Sandri Rocha, relatou que o início das chuvas ocorreu aproximadamente 15 dias depois do habitual. Segundo ela, as lavouras apresentam boa germinação, mas a regularidade do volume de água continua sendo um fator de atenção.
O atraso no calendário pode afetar etapas posteriores da produção, especialmente a colheita da soja e o plantio da segunda safra, conhecida como safrinha. Embora os produtores ainda estejam dentro da janela de plantio, mudanças no cronograma podem reduzir o período disponível para o cultivo de outras culturas.
Outro desafio apontado pela produtora é o custo do transporte. De acordo com Simone, as despesas com frete já registram aumentos que podem chegar a 40%, gerando preocupação com o escoamento da produção.
O engenheiro agrônomo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), Thadeu Teixeira Júnior, destacou a importância do planejamento e do acompanhamento das previsões climáticas. Ele também chamou a atenção para os chamados veranicos, períodos prolongados sem chuva que podem ocorrer durante a estação chuvosa.
Entre as medidas recomendadas estão a conservação da umidade do solo, a manutenção da palhada e o uso adequado de tecnologias agrícolas. O manejo correto pode ajudar a reduzir os impactos da irregularidade climática sobre as lavouras.
O uso de bioinsumos também foi abordado pelo professor de Agronomia da Afya Araguaína, José André Júnior. Segundo ele, microrganismos associados às raízes das plantas podem contribuir para a absorção de nutrientes, como fósforo e nitrogênio, favorecendo a eficiência produtiva.
Mesmo com os desafios climáticos e os custos de produção, a expectativa para o Tocantins permanece de crescimento na atividade agrícola. As projeções, entretanto, ainda são preliminares e poderão ser atualizadas conforme o avanço do plantio e as condições do clima nos próximos meses.
