O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) autorizou a colheita do capim-dourado no campo Rio do Meio, na APA do Jalapão, dentro do Território Quilombola do Carrapato. A atividade está liberada até 30 de novembro, conforme a Lei nº 3.594/2019, que disciplina o manejo sustentável do capim-dourado e do buriti para proteger os campos nativos e garantir renda às comunidades artesãs.
O início da safra, porém, ocorre após focos de incêndio registrados neste mês em áreas de capim-dourado do Jalapão. Em 8 e 9 de setembro, o Naturatins mobilizou brigadistas para conter o fogo e abriu investigação sobre o caso; reportagens locais chegaram a apontar perda de áreas relevantes de coleta, o que ameaça o sustento de famílias que dependem do artesanato. O órgão também vem reforçando ações de prevenção e combate nas unidades de conservação, inclusive com manejo integrado do fogo na temporada seca. No estado, os focos de queimadas em 2025 já passam de milhares, segundo balanços de imprensa regional, o que amplia o nível de atenção para o bioma. Provocar incêndio em unidade de conservação é crime ambiental e sujeita os responsáveis a multas e responsabilização penal e administrativa.
Para artesãos como Argemiro Pereira da Silva, 76, a safra tem valor que ultrapassa o financeiro: “Esse momento preserva nossa tradição e garante o sustento das famílias”. Em um ano de estiagem severa e queimadas recorrentes, o recado é simples e urgente: colher com cuidado, respeitar as regras e proteger o Cerrado para que o brilho do capim-dourado continue iluminando o Jalapão — e a vida de quem mora e trabalha ali.
Palmas (TO) 23.set.2025
